Queria Ser Poeta
Eu
queria ser poeta
Ah!
Como queria ser poeta
Para
sonhar como uma criança
E
cantarolar à toa como passarinho
Conhecer
o fundo do mar como peixe
E
a superfície como épico capitão
Ouvir
os sete mares numa concha
Ter
inspiração nas estrelas
Ver
na lua a fonte da paixão
Possuir
a inocência de um menino
Ao
mesmo tempo da malícia, de um homem bem vivido
Eu queria ser poeta
Somente para poder ver
Um joão-de-barro atrás de cada vaso
de artesão
Uma graciosa borboleta voando atrás
de cada flor
Um imenso cafezal florido atrás de
uma xicrinha
Os rios, lagos e oceanos atrás das
nuvens de chover
O sonho do homem
poder voar atrás de cada avião que decola
Um céu de algodão doce por entre as
nuvens cândidas
Todo mundo passando, no rabo do
cometa
Na praia a mulher que se banha em
cada onda a arrebentar
Uma arca de Noé atrás de cada
arco-íris
Uma volta ao mundo atrás de cada
balão
Um coração atrás de cada olhar
Um sorriso de criança mesmo em meio a tragédia
No fundo do poço os desejos
No lodo o meio da cura
No patinho mais feio o cisne mais
lindo
Naquele míssil de mil megatons,
bombons
Nas águas o perfume das flores que
farão brotar
Em cada eclipse o sol beijar a lua
No beijo o amor
No abraço a amizade
No bem-me-quer apenas pétalas
ímpares
Na gota de mel a colméia e suas
abelhas trabalhadeiras
O menor detalhe, o mais vivo e
delicado, onde pouse meu pensar
Eu queria ser poeta
Ah! Como eu queria ser
Somente para em mim
bater
O coração de um poeta
E nesse coração haveria...
...Apenas poesia...
Filippo
Valiante Filho
12 de novembro a 9 de dezembro de
2001
Revisada
em 27 de novembro de 2002